CAPÍTULO 1 — GRANDES LÍDERES NÃO SE TORNAM GRANDES SOZINHOS

O Espírito Santo e as pessoas que sustentam a obra longe dos holofotes

“Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.”

— Zacarias 4:6

A OBRA NUNCA FOI FEITA POR UMA SÓ PESSOA

Grandes líderes não se tornam grandes sozinhos. Nenhuma história de fé, nenhuma igreja, nenhum ministério e nenhum projeto que transforma vidas pode ser compreendido olhando apenas para quem aparece à frente. Há uma dimensão que os olhos nem sempre enxergam: a ação do Espírito Santo e a contribuição de pessoas que, cada uma à sua maneira, oferecem tempo, disposição, cuidado, trabalho e fidelidade.

O púlpito torna alguns rostos conhecidos, mas a obra não acontece somente no púlpito. Existem pessoas que aparecem diante da comunidade e outras que servem longe das luzes. Algumas têm títulos e responsabilidades públicas; outras são lembradas apenas pelo primeiro nome, por uma função ou por uma tarefa que talvez ninguém tenha pensado em registrar. Ainda assim, a falta de destaque não significa falta de valor.

Uma igreja é formada por pessoas. Um ministério precisa de pessoas. Um projeto depende de pessoas. Até mesmo uma iniciativa que parece pequena necessita de mãos dispostas, de quem ajude a organizar, cuidar, acolher, orientar, preparar e continuar. Quando a história é contada somente pelos nomes mais conhecidos, uma parte importante da verdade fica de fora.

É por isso que esta narrativa começa reconhecendo duas dimensões inseparáveis: a direção do Espírito Santo e a participação das pessoas que Deus coloca no caminho. Não para atribuir a seres humanos a glória que pertence a Deus, mas para não apagar a contribuição daqueles que serviram.

A MENINA CUJO NOME NÃO FICOU REGISTRADO

Entre as histórias bíblicas está a de uma jovem israelita levada para servir na casa de Naamã. O texto não preserva seu nome. Ela não ocupava o centro do poder, não era apresentada como uma grande autoridade e não tinha um púlpito. Era uma menina em condição vulnerável, vivendo longe de sua terra. Mesmo assim, ela falou à sua senhora sobre o profeta que poderia ajudar Naamã.

“E disse ela à sua senhora: Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.”

— 2 Reis 5:3

A fala foi breve, mas apontou um caminho. A jovem não realizou sozinha tudo o que aconteceria depois, porém sua palavra participou da sequência que levou Naamã a procurar ajuda. Seu nome não foi registrado, mas sua participação ficou na história. A Bíblia não precisa revelar todos os dados de uma pessoa para que sua atitude tenha significado.

Essa passagem nos lembra de quantas contribuições podem começar de maneira simples: uma palavra compartilhada, uma informação que orienta, uma atitude de coragem ou a disposição de dizer o que se sabe. Nem sempre a pessoa que ajuda a abrir uma porta estará presente quando os resultados forem vistos. Isso não torna sua participação menor.

A biografia também precisa ter espaço para pessoas assim. Quando uma identidade não puder ser confirmada, não devemos inventar um nome. Quando uma pessoa só aparecer por sua função, a função deve ser preservada. E quando houver um nome confirmado, ele merece ser escrito corretamente. Honrar os pequenos e os anônimos também exige honestidade.

A PROVISÃO TAMBÉM FAZ PARTE DA MISSÃO

Em outro momento da história bíblica, Davi e os homens que estavam com ele chegaram cansados, com fome e sede. Sobi, Maquir e Barzilai, entre outros que aparecem no relato, contribuíram com provisões. Não estavam necessariamente no centro do conflito que Davi enfrentava, mas aquilo que ofereceram atendia a necessidades concretas de pessoas exaustas.

“E mel, e manteiga, e ovelhas, e queijos de vacas, trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem; porque disseram: Este povo no deserto está faminto, cansado e sedento.”

— 2 Samuel 17:29

A provisão não era um detalhe sem importância. Gente cansada precisava comer e recuperar as forças. A ajuda material, oferecida na hora certa, tornou-se parte do apoio recebido por Davi e seu povo. Nem todo serviço se parece com uma batalha; algumas vezes, servir significa sustentar quem precisa continuar caminhando.

Esse princípio é essencial quando se conta a história de uma igreja, de um ministério ou de um projeto. Nem toda pessoa contribuirá da mesma forma. Uma pessoa pode liderar; outra pode organizar. Uma pode ensinar; outra pode acolher. Uma pode estar diante do público; outra pode ajudar em tarefas que quase ninguém vê. As responsabilidades são diferentes, mas não devemos desprezar aquilo que permite à missão prosseguir.

OS QUE PARECEM PEQUENOS TAMBÉM SÃO NECESSÁRIOS

“Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários.”

— 1 Coríntios 12:22

A imagem do corpo ensina que uma comunidade não deve avaliar o valor de seus membros somente pela visibilidade. Aquilo que parece pequeno pode ser necessário. Aquilo que recebe pouco reconhecimento pode sustentar uma parte importante do trabalho. E aquilo que não aparece nos relatos mais conhecidos pode ser lembrado por Deus e pelas pessoas que receberam seu benefício.

Ao reunir quinhentos nomes e exemplos da Bíblia — incluindo personagens conhecidos, figuras pouco lembradas e pessoas cujo nome não foi preservado —, o propósito não é misturar épocas nem transformar esses personagens em participantes da história moderna. A Escritura nos oferece exemplos para compreender um princípio que também precisamos respeitar na nossa história: Deus age, e pessoas reais participam de maneiras diferentes.

A menina que indicou um caminho a Naamã e aqueles que ofereceram provisões a Davi ilustram contribuições distintas. Uma transmitiu uma informação importante; outros ofereceram recursos para atender a uma necessidade imediata. O que os une, para o propósito deste capítulo, não é a fama nem o tamanho da função, mas o fato de que uma atitude concreta pode fazer diferença na caminhada de outras pessoas.

A NOSSA HISTÓRIA TAMBÉM PRECISA HONRAR QUEM CAMINHOU CONOSCO

Nós, Pastor Ivanildo Melo Regis e Pastora Rosinete Lima Regis, compreendemos que a história de nossa caminhada não pode ser contada como se tudo tivesse dependido apenas de nós. Em nossa fé, reconhecemos a ação do Espírito Santo e também a participação das pessoas que fizeram parte do caminho. Se essas pessoas não tivessem estado presentes, servido, colaborado ou ajudado em momentos diferentes, a história que estamos registrando não seria contada da mesma maneira.

Nos registros dos cinco anos de história que estamos organizando, há nomes de líderes, pastores, colaboradores, participantes, crianças, adolescentes, jovens, tios e tias de projetos, pessoas ligadas às atividades presenciais e on-line. Entre os nomes já anotados estão Bispo Ramos, Pastor Marcelo, Pastor Hélio, André Gideão, Tais, Aline, Jonathan, Josy, Bruno, Thayane, Alexia, Eduardo, Júlio, Rômulo, Adriana, Eliana e muitas outras pessoas. Esta menção é representativa, não uma lista completa nem uma classificação de importância. Cada nome deve ser preservado conforme as informações confirmadas, sem confundir pessoas que tenham nomes iguais ou parecidos.

Há também pessoas cuja contribuição talvez não tenha sido registrada com todos os detalhes. Algumas são identificadas apenas pela função; outras, por um primeiro nome; outras podem estar presentes nas lembranças de quem participou, mas não em todos os documentos. Não vamos preencher essas lacunas com invenções. Vamos reconhecer com humildade o que sabemos e deixar claro o que ainda precisa ser confirmado.

A equipe que serve não é um cenário atrás dos protagonistas. Ela faz parte da história. Diáconos, obreiros, colaboradores, tios e tias do Projeto 3EM1 e demais participantes não devem ser lembrados apenas quando uma fotografia os mostra ou quando um acontecimento os coloca em evidência. A participação de cada um deve ser preservada no lugar que lhe corresponde.

DEUS NÃO SE ESQUECE DO SERVIÇO FEITO EM AMOR

“Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho de amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos, e ainda servis.”

— Hebreus 6:10

Esta palavra nos ajuda a compreender por que vale a pena registrar os que raramente são citados. O reconhecimento público pode ser desigual e a memória humana pode esquecer detalhes, mas a fé cristã afirma que Deus não se esquece do trabalho realizado em amor. Isso não nos dá licença para atribuir feitos sem prova; pelo contrário, aumenta a responsabilidade de contar a verdade com gratidão.

Não queremos transformar pessoas em heróis perfeitos, nem apresentar Ivanildo e Rosinete como se tivessem construído uma caminhada isolados de todos. Também não queremos apagar erros, dificuldades ou limites. Uma biografia histórica digna honra a participação sem exagerar resultados, preserva os nomes sem inventar funções e agradece sem transformar a gratidão em afirmação de fatos que não conhecemos.

Por isso, o inventário de nomes que acompanha este projeto tem valor. Ele ajuda a guardar as pessoas na memória e cria uma oportunidade de conferir as grafias, identificar funções quando elas são conhecidas e perguntar, quando necessário, quem é quem. Nenhuma pessoa deve ser incluída por suposição, e ninguém deve ser excluído apenas porque apareceu pouco.

O CRESCIMENTO NÃO PERTENCE A UMA PESSOA SÓ

“Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.”

— 1 Coríntios 3:7

Este versículo encerra o princípio que orienta nossa reflexão. Há quem plante, quem regue e quem sirva em outras tarefas; o crescimento, porém, não é propriedade exclusiva de quem aparece. Na fé que professamos, é Deus quem concede o crescimento. O Espírito Santo não é um detalhe acrescentado à história: Ele ocupa o centro da compreensão espiritual que Ivanildo e Rosinete dão à própria caminhada.

Ao mesmo tempo, reconhecer a ação de Deus não significa desprezar as pessoas. A gratidão pelo Espírito Santo e a gratidão por quem serviu podem permanecer juntas. A glória pertence a Deus; a contribuição das pessoas merece ser lembrada com justiça.

Este capítulo abre, assim, um compromisso para a biografia inteira: olhar para além dos nomes mais conhecidos, registrar com cuidado as pessoas que participaram e reconhecer que as grandes histórias são formadas por muitos atos — alguns públicos, outros discretos, alguns lembrados, outros quase anônimos. Os quinhentos nomes bíblicos reunidos como referência nos ajudam a manter essa atenção, enquanto o registro da nossa própria história deve continuar fiel às pessoas reais que fizeram parte dela.

Grandes líderes não se tornam grandes sozinhos. Sem a direção do Espírito Santo e sem as pessoas que aparecem no caminho para servir, acolher, ensinar, apoiar e permanecer, uma história de vitória ficaria incompleta. Que estas páginas ajudem a lembrar os nomes conhecidos e a respeitar também aqueles que a memória quase deixou anônimos — não para tomar o lugar de Deus, mas para reconhecer, com verdade e gratidão, como Ele age por meio de pessoas.